Segundo estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os estudantes brasileiros figuram entre os mais ansiosos do mundo. Por isso, em mais uma edição do Programa de Formação de Pais, o Colégio Notre Dame Ipanema convidou o psicólogo e terapeuta familiar, Eduardo Rawicz, para orientar os responsáveis acerca do papel da família na saúde emocional de crianças e adolescentes.
Citando o filósofo e escritor renascentista Michel Montaigne, a quem parecia estar na tarefa de criar os filhos a maior dificuldade do homem, o palestrante evidenciou que ter dúvidas na educação, não é uma questão contemporânea. Contudo, Rawicz foi incisivo ao descrever o papel da família: acolher e criar laços afetivos, sem poupar os filhos de executar tarefas e, muito menos, privá-los de situações em que terão de lidar com perdas e fracassos.
“Os familiares devem dar apoio nesses momentos, já que essas vivências fazem parte da vida e formam adultos mais preparados”, afirmou, evidenciando como é grande é a dificuldade das novas gerações em lidar com as decepções. “Pesquisas sobre a geração dos Millennials, os nascidos depois da revolução tecnológica, apontam que são jovens que não se adaptam bem a sistemas hierárquicos e não permanecem em uma mesma empresa por muito tempo, além de começarem várias coisas sem conseguir terminá-las. São consequências do despreparo para lidar com as frustrações”, explicou o psicólogo, enaltecendo o valor de favorecer a autoestima e a autonomia dos filhos, assim como impor limites.
“São as bases de uma formação sólida”, atestou Eduardo, comentando que os responsáveis devem enxergar-se como espelhos para as crianças e os adolescentes, já que é por meio da interação que ocorre a aprendizagem. “Educar não é apenas prover. O afeto insuficiente dá a sensação de abandono e gera pessoas inseguras, por outro lado, uma conexão afetiva no ambiente familiar, aliada a regras de convivência e senso de responsabilidade, só traz consequências positivas”, alertou, explicando que a estrutura psicológica resulta da soma do temperamento, derivado da herança genética, com o meio ambiente. “Todos nós temos impulsos construtivos e destrutivos, que devem ser canalizados para a produtividade”, concluiu.