Júlia Billiart: A Santa que cortou o trigo

Por: Irmã Loiva Urban – diretora do Colégio Notre Dame Ipanema

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A cidadã francesa, Maria Rosa Júlia Billiart, quinta filha de João Francisco Billiart e de Maria Luisa Antonieta Debraine, nasceu num período de grande efervescência cultural. Os irmãos eram em número de sete.  No ano de seu nascimento, 1751, o filósofo Voltaire publicou, na Alemanha, o Século das Luzes e Denis Diderot iniciou a publicação da Enciclopédia.

mapa_decoupage-13-regions-franceA província da Picardia, a 90 km ao norte de Paris,  era conhecida, na época como o “celeiro de Paris”, porque era grande produtora de trigo e outros grãos, usando a tecnologia de então.  A família Billiart tinha uma lavoura de pequena dimensão, complementada com uma  modesta mercearia.  Além disso, a família de Júlia,  incluindo a ela mesma, trabalhava como  ceifeira sazonal na colheita do trigo, cortando as espigas com uma foice e organizando-as em feixes.  No horário do intervalo do meio-dia, à sombra de uma árvore, a jovem Júlia contava ou lia histórias piedosas para seus companheiros de ceifa. E eles apreciavam tanto  esta oportunidade que pediram a Júlia para se reunirem aos domingos, para aprenderem mais.

Foto atual (2015) de uma estrada na picardia francesa rumo a Namur, entre os campos e plantações.
Um estrada na picardia francesa rumo a cidade belga de Namur cruza campos e plantações tradicionais até hoje na região do norte da França. Foto atual (2015, GoogleMaps).

Trigo, pão, trabalho e formação do caráter andam de mãos dadas.  O frio, o calor, o cansaço, o cuidado com as ferramentas, a atenção aos colegas de trabalho são ferramentas para a estruturação da personalidade.  Neste ano da misericórdia, quando celebramos os 200 anos da morte de Sta. Júlia, é oportuno refletir sobre os meios que nos possibilitam o exercício da mesma, seja na sala de aula, seja no escritório, seja no cuidado de pessoas.  A formação do caráter acontece no exercício, inúmeras repetido, nos lugares aonde caminhamos,  atuamos,  somos, aonde ganhamos o pão de cada dia. A Santa que colheu trigo  nos inspire, oriente e sustente na   resiliência olímpica, assim como ela.

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