Por: Irmã Loiva Urban – diretora do Colégio Notre Dame Ipanema
A cidadã francesa, Maria Rosa Júlia Billiart, quinta filha de João Francisco Billiart e de Maria Luisa Antonieta Debraine, nasceu num período de grande efervescência cultural. Os irmãos eram em número de sete. No ano de seu nascimento, 1751, o filósofo Voltaire publicou, na Alemanha, o Século das Luzes e Denis Diderot iniciou a publicação da Enciclopédia.
A província da Picardia, a 90 km ao norte de Paris, era conhecida, na época como o “celeiro de Paris”, porque era grande produtora de trigo e outros grãos, usando a tecnologia de então. A família Billiart tinha uma lavoura de pequena dimensão, complementada com uma modesta mercearia. Além disso, a família de Júlia, incluindo a ela mesma, trabalhava como ceifeira sazonal na colheita do trigo, cortando as espigas com uma foice e organizando-as em feixes. No horário do intervalo do meio-dia, à sombra de uma árvore, a jovem Júlia contava ou lia histórias piedosas para seus companheiros de ceifa. E eles apreciavam tanto esta oportunidade que pediram a Júlia para se reunirem aos domingos, para aprenderem mais.

Trigo, pão, trabalho e formação do caráter andam de mãos dadas. O frio, o calor, o cansaço, o cuidado com as ferramentas, a atenção aos colegas de trabalho são ferramentas para a estruturação da personalidade. Neste ano da misericórdia, quando celebramos os 200 anos da morte de Sta. Júlia, é oportuno refletir sobre os meios que nos possibilitam o exercício da mesma, seja na sala de aula, seja no escritório, seja no cuidado de pessoas. A formação do caráter acontece no exercício, inúmeras repetido, nos lugares aonde caminhamos, atuamos, somos, aonde ganhamos o pão de cada dia. A Santa que colheu trigo nos inspire, oriente e sustente na resiliência olímpica, assim como ela.