Belo e bom Deus

Por: Irmã Loiva Urban – diretora do Colégio Notre Dame Ipanema

Foto atual da Catedral de Amiens, vista através das lentes do Google Maps*
Foto atual da Catedral de Amiens, vista através das lentes do Google Maps*

legendaA imagem do bom Jesus orna a porta principal da Catedral de Amiens.No pórtico da Catedral de Amiens, na França, (construída no Século XIII) há uma imagem de Jesus, inspirado no Pantocrator, que é conhecida como a imagem do Belo Deus.  Nesta cidade, Santa Júlia Billiart fundou a Congregação das Irmãs de Notre Dame, em 1804. E foi nesta catedral que as Irmãs exerceram a primeira atividade apostólica. Elas foram catequistas de crianças e adultos naquela Catedral, frequentavam-na para a Missa, para a adoração, para a oração do terço e outras. Em consequência, todas as vezes que elas entravam na maravilhosa catedral gótica,[1] as Irmãs se deparavam com a imagem de Jesus, na fachada ocidental,  segurando o livro dos Evangelhos em uma das mãos e o globo, na outra.

catedral aimens jesusO belo Jesus – o bom Jesus – o Belo Deus e o bom Deus, historicamente, são reconhecidos como sinônimos, termos e significados que o latim proporciona. Bonito vem do latim, bônus, com as acepções de “bom, virtuoso, gentil, útil, formoso, elegante”. O “bonito” (influência da língua espanhola) é na origem bonzinho (diminutivo). A estreita ligação entre bonito e bom não é um sentido contrabandeado por séculos de história.  Os liames, além de históricos,  são culturais e etimológicos.  Bellus – latim – que resultou no nosso belo – vem de benutus, diminutivo de bônus = bom. Em diversos contextos, no linguajar corrente, ainda nos dias atuais, continuamos  a usar belo e bom como sinônimos, assim como empregamos mau e feio como sinônimos.[2]

A arquitetura da Catedral de Notre Dame de Amiens, inaugurada em 1270, impressiona por sua semelhança com a Catedral de Notre Dame de Paris.
A arquitetura da Catedral de Notre Dame de Amiens, inaugurada em 1270, impressiona por sua semelhança com a Catedral de Notre Dame de Paris.

Costuma-se dizer que aquilo internalizamos pela arte não desaprendemos jamais. É indestrutível. A vista diária da artística imagem do belo Jesus, muito provavelmente, confirmou e ratificou a experiência do bom Jesus, do bom Deus que Maria Rosa Júlia Billiart selou como a caracterização de seu modo de ser e viver, bem como  o das Irmãs, que, pelo mundo afora, são chamadas a  testemunhar  e a anunciar que o bom Deus é muito bom.

 

 

*clique aqui e acesse a imagem em 360º


[1] Patrimônio Mundial da UNESCO – 1981.

[2] Bonito e bonzinho – www.veja.com/sobre palavras. 26.11.2015.

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