As boas mãos de Deus, as boas mãos de Júlia

Por: Irmã Loiva Urban – diretora do Colégio Notre Dame Ipanema

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Acima, o bordado feito à mão por Santa Júlia Billiart que se encontra na Central de Patrimônio das Irmãs de Notre Dame de Namur, na cidade de Namur/Bélgica.

Para fazer qualquer coisa, utilizamos as mãos. Usamo-las automaticamente. As mãos são membros pares de nosso corpo, que possibilitam uma extensão do mesmo para afastar, aproximar, comprimir, agarrar, flexionar, esfregar, coçar, bater, entre outras habilidades. Com as mãos escrevemos. Usando as mãos, foi escrito o relato do Gênesis, por exemplo, em cujo texto está um dos fundamentos bíblicos do carisma e espiritualidade de Júlia Billiart: a bondade.

A mão tem milhares de músculos, tendões, terminações nervosas que possibilitam coordenar a mão com o braço e o antebraço. Ou seja, a mão tem “23 graus de liberdade mecânica”: 23 graus, em muitas gradações. Com as mãos podemos fazer o bem e temos a habilidade para fazer o mal. Porque o bom Deus nos chamou para a liberdade, escolhemos a natureza da ação.

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Imagem da Paróquia de Santa Júlia Billiart, na cidade de Tinley Park em Illinois nos Estados Unidos.

Santa Júlia Billiart – paralítica por 22 anos – muitas vezes não podia fazer nada com as mãos. Estavam paralisadas, sem funcionamento das terminações nervosas comunicativas. Em períodos com um pouco de mobilidade, ela fazia bordados – confeccionado toalhas para o altar da Igreja- fazia costuras à mão, desfiava as contas do rosário, tocava as pessoas, abençoava-as com suas mãos estendidas, entrelaçava os dedos, fazia a higiene pessoal. Foi neste longo período de total ou parcial paralisia que ela compreendeu, experienciou e aprofundou a bondade de Deus. A oração das mãos, depois da cura, em 1806, se tornou intervenção de caridade e amor em cuidado de crianças, em educação, em ajuda na escrita, na preparação de alimentos, de roupas, em carregar objetos diversos, em plantar verduras, batatas, em fazer compras, registrar a contabilidade… Júlia, com as mãos moventes, pôs todo o seu ser a serviço da Igreja, em benefício das crianças. E por isso podemos falar das boas mãos de Júlia, como das boas mãos de Deus: É isso que expressa a música das Irmãs Neusa Maria Dornelles Schneider e Mirtes Helena Roman, uma versão livre, musicada do primeiro capítulo do Gênesis. O relato da criação se constitui em um dos pilares bíblicos do carisma e da espiritualidade de Santa Júlia Billiart: a bondade.

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